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Psoríase nas unhas: como identificar, diferenciar da micose e tratar

Resposta rápida: A psoríase nas unhas é a psoríase atingindo a raiz e o leito da unha. Não tem cura definitiva, mas é controlável com tratamentos locais, infiltração, medicamentos orais ou biológicos, escolhidos de acordo com o número de unhas afetadas e com o comprometimento da pele e das articulações. Como a aparência lembra a da micose e as duas podem coexistir, o diagnóstico deve ser confirmado antes do tratamento.

“Doutor, já tratei essa unha como micose por meses e ela continua igual.” É uma frase comum no consultório. No exame, às vezes encontro pequenos furinhos na superfície da unha, uma mancha amarelada que parece uma gota de óleo embaixo dela e, em alguns casos, sinais de psoríase no couro cabeludo ou nos cotovelos que a pessoa nunca tinha notado.

Psoríase nas unhas, também chamada de psoríase ungueal, é uma manifestação inflamatória que pode provocar pequenas depressões na superfície da unha, manchas amareladas, espessamento e descolamento. Essas alterações são frequentemente confundidas com micose, mas as doenças têm causas e tratamentos diferentes. Em algumas pessoas, a psoríase aparece somente nas unhas, mesmo sem lesões visíveis na pele.

Outro aspecto importante é sua associação com a artrite psoriásica. Por isso, o exame dermatológico não deve se limitar à aparência das unhas.

O que é a psoríase nas unhas?

A psoríase é uma doença inflamatória crônica, relacionada a alterações do funcionamento do sistema imunológico. Embora seja mais conhecida pelas placas avermelhadas e descamativas na pele, também pode atingir o couro cabeludo, as articulações e as unhas.

Quando acomete as unhas, a inflamação pode ocorrer em duas estruturas principais:

  • Matriz ungueal: região responsável pela formação da lâmina da unha.
  • Leito ungueal: tecido localizado abaixo da lâmina, sobre o qual ela permanece aderida.

Essa diferença explica por que a psoríase pode provocar alterações tão variadas.

Estima-se que aproximadamente metade das pessoas com psoríase cutânea apresente alterações nas unhas em algum momento da doença. Entre pacientes com artrite psoriásica, essa frequência pode ser ainda maior.

Em uma parcela menor dos casos, as unhas são a única manifestação aparente da psoríase, o que pode dificultar o reconhecimento da doença.

Quais são os sintomas da psoríase nas unhas?

As alterações dependem da região da unidade ungueal atingida pela inflamação.

Alterações da matriz ungueal

Quando a inflamação afeta a região onde a unha é formada, podem surgir:

  • Depressões puntiformes (pitting): pequenos furinhos ou pontos afundados na superfície da unha.
  • Leuconíquia: manchas ou áreas esbranquiçadas na lâmina ungueal.
  • Pontos avermelhados na lúnula: alterações na região da meia-lua, próxima à base da unha.
  • Fragilidade e alterações da superfície: unhas irregulares, quebradiças ou com aspecto de esfarelamento.

Alterações do leito ungueal

Quando a inflamação ocorre abaixo da unha, os sinais mais frequentes incluem:

  • Mancha em gota de óleo: área amarelada ou alaranjada, também conhecida como mancha salmão, que parece estar sob a unha.
  • Onicólise: descolamento da lâmina ungueal, geralmente começando pela extremidade.
  • Hiperqueratose subungueal: acúmulo de material abaixo da unha, provocando espessamento.
  • Hemorragias em estilha: pequenas linhas avermelhadas ou escurecidas, semelhantes a farpas, que acompanham o sentido de crescimento da unha.

Nem todos esses sinais aparecem simultaneamente. Uma pessoa pode apresentar apenas uma alteração, enquanto outra pode ter várias unhas comprometidas de maneiras diferentes.

As unhas das mãos e dos pés podem ser afetadas.

Psoríase nas unhas ou micose: como diferenciar?

Essa é uma das principais dificuldades no diagnóstico das doenças ungueais.

Tanto a psoríase quanto a onicomicose, conhecida como micose de unha, podem causar espessamento, descolamento, mudança de cor e fragilidade da lâmina.

Alguns achados, como as depressões puntiformes e a mancha em gota de óleo, favorecem o diagnóstico de psoríase. Entretanto, nenhum sinal isolado é suficiente para confirmar a doença em todos os casos.

Há ainda outra possibilidade: a psoríase e a micose podem ocorrer simultaneamente na mesma unha.

Por isso, nem sempre é possível diferenciá-las apenas observando a aparência.

Quando existe dúvida, a investigação micológica ajuda a identificar uma possível infecção por fungos e evita tratamentos inadequados.

Se você já tratou uma alteração ungueal como micose e não apresentou melhora, pode ser necessário reavaliar o diagnóstico.

Leia também: Micose de unha: por que nem toda unha grossa é fungo.

A psoríase nas unhas pode indicar artrite psoriásica?

Sim. A presença de psoríase ungueal está associada a uma maior probabilidade de artrite psoriásica, doença inflamatória que pode comprometer as articulações e outras estruturas musculoesqueléticas.

Isso não significa que toda pessoa com psoríase nas unhas desenvolverá artrite. Entretanto, essa associação merece atenção.

A unidade ungueal e a articulação localizada na ponta do dedo possuem uma relação anatômica importante, especialmente por sua proximidade com estruturas tendíneas e ligamentares envolvidas no processo inflamatório.

Na avaliação dermatológica, procuro investigar sintomas como:

  • Dor ou inchaço nas articulações.
  • Rigidez ao acordar, principalmente quando melhora com o movimento.
  • Inchaço difuso de um dedo, conhecido como dactilite.
  • Dor em regiões de inserção dos tendões, como o calcanhar, que pode representar entesite.

Esses sintomas não confirmam artrite psoriásica, mas podem indicar a necessidade de avaliação reumatológica.

O reconhecimento precoce da doença é importante para iniciar o tratamento adequado e reduzir o risco de dano articular.

Como é feito o diagnóstico da psoríase ungueal?

O diagnóstico começa com a avaliação clínica.

Durante a consulta, examino as unhas das mãos e dos pés, procurando identificar quais estruturas parecem estar comprometidas.

Também avalio a pele e o couro cabeludo, pois a presença de outras manifestações de psoríase pode ajudar a esclarecer o quadro.

A dermatoscopia, método que permite ampliar a visualização das estruturas da unha, pode auxiliar na identificação de alterações que nem sempre são evidentes a olho nu.

Quando existe suspeita de micose associada ou dúvida diagnóstica, pode ser necessária a coleta de material ungueal para exame micológico.

Outras doenças também precisam ser consideradas, como líquen plano ungueal, eczema, traumatismos repetitivos e determinadas alterações inflamatórias ou vasculares.

A biópsia da unidade ungueal é reservada para situações específicas, quando os achados clínicos e os exames complementares não são suficientes.

O objetivo é identificar corretamente a causa da alteração antes de definir o tratamento.

Como avaliar a gravidade da psoríase nas unhas?

O número de unhas afetadas é importante, mas não é o único critério.

Uma única unha muito comprometida pode provocar dor, dificuldade para realizar tarefas e incômodo significativo, principalmente quando há espessamento ou descolamento da lâmina.

Na avaliação, considero a extensão das alterações, o comprometimento da matriz e do leito, o impacto nas atividades diárias e a presença de psoríase em outras regiões.

Existem ferramentas específicas para acompanhar a gravidade, como o NAPSI (Nail Psoriasis Severity Index), que permite registrar diferentes manifestações da doença e avaliar sua evolução ao longo do tratamento.

A avaliação da qualidade de vida também é relevante, pois as alterações ungueais podem interferir no trabalho, nas atividades manuais e nas relações sociais.

Quais são os tratamentos para psoríase nas unhas?

O tratamento é individualizado e depende da extensão das alterações, das estruturas atingidas e da presença de manifestações cutâneas ou articulares.

A psoríase é uma doença crônica, sem cura definitiva atualmente, mas existem tratamentos capazes de controlar a inflamação e melhorar o aspecto e a função das unhas.

1. Tratamentos locais

Quando poucas unhas estão comprometidas, prescrevo medicamentos tópicos, como corticosteroides e derivados da vitamina D, entre eles o calcipotriol.

A escolha depende da localização da inflamação e das características das lesões.

Um dos desafios é conseguir que o medicamento alcance a estrutura ungueal afetada, especialmente quando a inflamação está localizada na matriz.

2. Infiltração intralesional de corticosteroides

Em determinadas situações, principalmente quando há comprometimento de poucas unhas e resposta insuficiente ao tratamento tópico, faço a infiltração local de corticosteroide no consultório.

Aplico o medicamento na região afetada para que ele atue diretamente sobre o processo inflamatório.

A indicação exige avaliação cuidadosa, pois o procedimento pode provocar desconforto e apresentar efeitos adversos locais.

3. Tratamentos sistêmicos e medicamentos biológicos

Quando a psoríase ungueal é extensa, resistente, provoca impacto importante na qualidade de vida ou está associada a manifestações relevantes na pele e nas articulações, considero os medicamentos sistêmicos.

Prescrevo o metotrexato e os medicamentos biológicos. Há também outros medicamentos orais, indicados em situações específicas.

Os medicamentos biológicos atuam em vias específicas da resposta inflamatória envolvida na psoríase e podem melhorar as manifestações ungueais.

A escolha depende das características de cada paciente, das doenças associadas, das contraindicações e dos tratamentos utilizados anteriormente.

Essas terapias exigem acompanhamento médico e, conforme o medicamento, avaliações laboratoriais periódicas.

4. Laser

Alguns lasers, como o laser de corante pulsado (PDL), o Nd:YAG e o laser de CO₂ fracionado, foram estudados na psoríase ungueal, com resultados que sugerem benefício em situações específicas. Os estudos ainda têm limitações.

Na Prime Dermatologia, uso o Lunula, um laser de baixa intensidade que não aquece a unha, empregado sobretudo na micose de unha. Na psoríase ungueal, a evidência para esse aparelho ainda é insuficiente. Por isso, só o indico em casos selecionados, como complemento e nunca no lugar dos tratamentos convencionais, e explico essa limitação na consulta.

Quanto tempo demora para a psoríase ungueal melhorar?

O tratamento exige acompanhamento porque as unhas crescem lentamente.

Mesmo quando a inflamação começa a ser controlada, a parte danificada da unha precisa crescer e ser progressivamente substituída.

Nas mãos, a unha cresce em média cerca de 3,5 mm por mês. Nos pés, o crescimento é mais lento, menos da metade disso. Na prática, a renovação completa leva alguns meses nas mãos e costuma levar um ano ou mais nos pés, dependendo de fatores individuais.

Isso não significa que todos os pacientes precisarão desse período para perceber alguma melhora. Entretanto, a recuperação da aparência da unha geralmente é mais lenta do que a melhora das lesões de psoríase na pele.

Durante o acompanhamento, avalio a redução das alterações inflamatórias e o crescimento de uma nova porção de unha com aparência mais preservada.

A ausência de melhora imediata não significa necessariamente que o tratamento esteja falhando.

Quais cuidados ajudam a evitar a piora?

Além do tratamento médico, alguns cuidados podem reduzir traumas e irritações que agravam as alterações ungueais.

  • Manter as unhas curtas, sem cortá-las excessivamente.
  • Evitar retirar ou manipular de forma agressiva as cutículas.
  • Não tentar remover o material acumulado sob a unha com objetos pontiagudos.
  • Utilizar luvas durante atividades que envolvam contato frequente com água ou produtos de limpeza.
  • Hidratar regularmente as mãos e a região ao redor das unhas.
  • Evitar procedimentos de manicure que provoquem traumatismos repetidos.

Esses cuidados são importantes porque pequenas lesões podem desencadear ou agravar manifestações da psoríase, o chamado fenômeno de Koebner.

Eles ajudam a proteger as unhas, mas não substituem o tratamento da inflamação.

Perguntas frequentes sobre psoríase nas unhas

Psoríase nas unhas é contagiosa?

Não. A psoríase é uma doença inflamatória imunomediada e não é transmitida pelo contato físico, compartilhamento de objetos ou convivência com outras pessoas.

Posso ter psoríase nas unhas sem ter manchas na pele?

Sim. Embora seja menos comum, a psoríase pode se manifestar exclusivamente nas unhas. Nesses casos, o diagnóstico pode ser mais difícil, pois outras doenças apresentam alterações semelhantes.

Psoríase nas unhas pode ser confundida com micose?

Sim. Ambas podem provocar espessamento, descolamento e mudança na coloração das unhas. Além disso, psoríase e onicomicose podem coexistir. O exame dermatológico e, quando necessário, a investigação micológica ajudam a diferenciá-las.

A psoríase ungueal tem cura?

Atualmente, não existe cura definitiva para a psoríase. Entretanto, os tratamentos disponíveis podem controlar a inflamação e proporcionar melhora importante das alterações ungueais. A doença pode apresentar períodos de melhora e recorrência.

Quem tem psoríase nas unhas vai desenvolver artrite?

Não necessariamente. A psoríase ungueal está associada a maior probabilidade de artrite psoriásica, mas muitas pessoas nunca desenvolvem comprometimento articular. Sintomas como dor, inchaço e rigidez devem ser investigados.

Quanto tempo leva para a unha voltar ao normal?

A melhora depende da gravidade da doença, da resposta ao tratamento e da velocidade de crescimento ungueal. Como a lâmina cresce lentamente, a recuperação visual pode levar vários meses e nem sempre é completa.

Quando procurar um dermatologista?

Alterações persistentes nas unhas merecem avaliação, principalmente quando apresentam espessamento, manchas, depressões na superfície ou descolamento.

Também recomendo investigar quando uma unha tratada repetidamente como micose não melhora, ou quando a pessoa já tem diagnóstico de psoríase e começa a apresentar alterações ungueais.

Se houver sintomas articulares associados, a investigação torna-se ainda mais importante.

O diagnóstico correto permite escolher o tratamento mais adequado e evita que diferentes doenças sejam tratadas como se fossem a mesma condição.

Para conhecer outras condições atendidas, visite a página de dermatologia clínica.

Referências

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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso precisa de avaliação individual.

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