Unhas
Micose de unha (onicomicose): por que nem toda unha grossa é fungo e como tratar
Resposta rápida: A onicomicose é a infecção da unha por fungos e é a doença de unha mais comum no consultório. Como outras condições deixam a unha com aparência parecida, o diagnóstico deve ser confirmado por exame antes do tratamento, que pode ser tópico, oral ou combinado, e costuma levar meses.
Unha amarelada, grossa, quebradiça ou descolando da pele. A primeira suspeita costuma ser micose, e muita gente já chega ao consultório depois de meses passando esmalte antifúngico comprado na farmácia, sem melhora.
A micose de unha, ou onicomicose, é de fato a doença de unha mais comum. Mas não é a única que deixa a unha com esse aspecto. E é justamente aí que muitos tratamentos falham.
O que é a onicomicose
É uma infecção da unha causada por fungos. Na maioria dos casos, os responsáveis são os dermatófitos, os mesmos fungos do pé de atleta. Leveduras, como a cândida, e outros tipos de fungo também podem estar envolvidos, principalmente nas unhas das mãos.
Os sinais mais comuns são:
- Unha amarelada, esbranquiçada ou acastanhada
- Espessamento da unha, com acúmulo de material embaixo dela
- Descolamento da unha a partir da ponta
- Unha frágil, que esfarela ou quebra com facilidade
Não é só uma questão estética. Sem tratamento, a unha pode ficar dolorosa, atrapalhar o uso de sapatos e servir de porta de entrada para outras infecções, o que preocupa especialmente quem tem diabetes ou problemas de circulação.
Nem toda unha grossa é micose
Psoríase, traumas repetidos (como o atrito do tênis na corrida), alterações de circulação e o próprio envelhecimento podem deixar a unha grossa e com a cor alterada. Em estudos que usaram exames moleculares, apenas cerca de metade das unhas com aparência de micose tinha, de fato, fungo.
Por isso, as diretrizes recomendam confirmar o diagnóstico antes de começar o tratamento. Na consulta, examino as unhas e a pele dos pés e, quando indicado, faço o clipping ungueal: corto um pequeno fragmento da ponta da unha afetada e envio para análise em laboratório de patologia. É um exame simples, que não dói e não deixa sequela. Ele mostra se há fungo na unha e também ajuda a diferenciar a micose de outras doenças, como a psoríase.
Isso evita meses de tratamento para uma doença que a pessoa não tem.
Por que a automedicação costuma falhar
- O diagnóstico pode estar errado, como vimos acima.
- O produto não chega ao fungo. A unha é uma barreira espessa, e tratamentos de superfície funcionam melhor em casos leves, que atingem só a ponta da unha.
- O tratamento é interrompido cedo. A unha do pé cresce devagar, e a melhora visível demora meses. Muita gente desiste antes.
- O pé de atleta não é tratado junto, e o fungo volta a infectar a unha.
Como é o tratamento
O tratamento é escolhido de acordo com a quantidade de unhas afetadas, a extensão do comprometimento em cada unha, o tipo de fungo, a idade, outras doenças e os medicamentos que a pessoa já usa.
- Tratamento tópico (esmaltes e soluções antifúngicas): indicado para casos leves a moderados, ou quando o tratamento oral não é possível. Tem poucos efeitos colaterais, mas exige uso diário por muitos meses.
- Tratamento oral: é o mais eficaz nos casos moderados a graves e tem duração menor. Como alguns antifúngicos interagem com outros medicamentos e exigem acompanhamento, a prescrição e o monitoramento são médicos.
- Tratamento combinado: unir tratamento oral e tópico aumenta as chances de cura em vários casos.
- Desbaste da unha: reduzir a espessura e retirar a parte infectada diminui a quantidade de fungos e ajuda o medicamento a agir. Quando necessário, faço o desbaste no próprio consultório.
- Laser: na Prime, utilizo o Lunula, um laser de baixa intensidade que não aquece a unha e não causa dor. Em estudos iniciais, ele aumentou a área de unha saudável em boa parte das unhas tratadas, e foi liberado pela FDA, a agência reguladora dos Estados Unidos, para esse fim. O protocolo costuma ter pelo menos 8 sessões, uma por semana. O Lunula pode ser feito de forma isolada por quem não pode ou não quer tomar medicamentos. Sempre que possível, porém, associo o laser aos antifúngicos: em estudos com outros tipos de laser, a combinação com antifúngicos tópicos teve resultados melhores do que o antifúngico tópico sozinho.
Um ponto de atenção: já existem fungos resistentes a alguns antifúngicos em vários países. Usar o medicamento certo, na dose e pelo tempo corretos, também ajuda a evitar esse problema.
Quanto tempo leva
O fungo pode ser eliminado antes de a unha parecer normal. A unha do pé leva cerca de um ano, ou mais, para se renovar por completo, e a parte afetada só sai à medida que a unha nova cresce. Por isso, o acompanhamento é feito em consultas periódicas, comparando a unha nova com a antiga.
Como evitar que volte
A onicomicose volta em cerca de um em cada quatro pacientes. Algumas medidas reduzem esse risco:
- Tratar também o pé de atleta e manter os pés secos, principalmente entre os dedos
- Não andar descalço em vestiários, piscinas e academias
- Higienizar ou trocar tênis e calçados usados durante a infecção
- Preferir meias de algodão e trocá-las diariamente
- Não compartilhar alicates e lixas, e levar o próprio material à manicure e à podóloga
- Voltar à consulta ao primeiro sinal de alteração, quando o tratamento é mais simples
Quando procurar um dermatologista
Procure avaliação se uma ou mais unhas mudarem de cor, engrossarem ou descolarem, se houver dor, ou se você já tentou tratar por conta própria sem resultado. Quem tem diabetes, má circulação ou imunidade baixa deve buscar avaliação mais cedo.
Saiba como é o tratamento de micose de unha na Prime Dermatologia, na Vila Clementino.
Referências
- Lipner SR, Scher RK. Onychomycosis: treatment and prevention of recurrence. J Am Acad Dermatol, 2019
- Frazier WT et al. Onychomycosis: rapid evidence review. Am Fam Physician, 2021
- Gupta AK et al. Onychomycosis: a review. J Eur Acad Dermatol Venereol, 2020
- Zaraa I, Dehavay F, Richert B. Onychomycosis. Hand Surg Rehabil, 2024
- Nenoff P et al. S1 Guideline onychomycosis. J Dtsch Dermatol Ges, 2023
- Fillus Neto J, Tchornobay AM. Como o clipping pode auxiliar o dermatologista. An Bras Dermatol, 2009
- Nasereddin SM et al. Understanding global access to topical onychomycosis therapy: a systematic review and meta-analysis. Mycoses, 2024
- Zang K, Sullivan R, Shanks S. A retrospective study of non-thermal laser therapy for the treatment of toenail onychomycosis. J Clin Aesthet Dermatol, 2017
- Han Y et al. The effects of CO2 laser and topical agent combination therapy for onychomycosis: a meta-analysis. Dermatol Ther, 2021
- Zhang J et al. Fractional 2940-nm Er:YAG laser and 5% amorolfine lacquer combination therapy versus amorolfine monotherapy for onychomycosis: a randomized controlled trial. Lasers Med Sci, 2021
- Maskan Bermudez N et al. Onychomycosis: old and new. J Fungi, 2023
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso precisa de avaliação individual.