Cabelos

Queda de cabelo depois de um período de estresse: o que é o eflúvio telógeno

Resposta rápida: O eflúvio telógeno é uma queda de cabelo difusa que costuma começar de 2 a 3 meses depois de um gatilho, como estresse intenso, febre alta, cirurgia ou parto. Na maioria das vezes é temporário, mas só a avaliação dermatológica separa esse quadro de outras causas de queda.

No consultório, uma das frases que mais ouço é: “meu cabelo começou a cair, mas eu não estou passando por nada agora”. Muitas vezes a explicação está alguns meses antes.

Por que o cabelo cai meses depois

Cada fio passa por fases: cresce por anos (fase anágena), para de crescer e depois se solta (fase telógena). Normalmente, só uma pequena parte dos fios está na fase de queda ao mesmo tempo.

Um evento forte para o organismo pode fazer muitos fios entrarem juntos na fase de repouso. Como essa fase dura alguns meses, a queda só aparece depois. Por isso a pessoa raramente liga a queda ao que aconteceu.

Gatilhos mais comuns

  • Estresse emocional intenso
  • Febre alta ou infecções, incluindo COVID-19
  • Cirurgias e internações
  • Parto
  • Perda de peso rápida, seja por dietas muito restritivas, cirurgia bariátrica ou canetas emagrecedoras (veja abaixo)
  • Medicamentos: início, troca ou suspensão de alguns remédios (veja abaixo)
  • Alterações de tireoide e deficiências nutricionais, como a de ferro

Medicamentos: uma causa frequente e muitas vezes esquecida

Vários medicamentos de uso comum podem desencadear o eflúvio telógeno, tanto quando são iniciados quanto quando são suspensos ou trocados. Entre os exemplos estão anticoncepcionais hormonais (principalmente na suspensão), anticoagulantes, alguns remédios para pressão, retinoides orais, anticonvulsivantes e medicamentos para a tireoide.

Como a queda aparece meses depois, raramente a pessoa faz essa ligação. Por isso, na consulta, reviso todos os medicamentos, suplementos e vitaminas usados nos últimos meses. Se puder, traga essa lista com as datas aproximadas de início e de suspensão.

Assim como no caso das canetas emagrecedoras, a regra é a mesma: não suspenda nenhum medicamento por conta própria. Quando há suspeita, o ajuste é combinado com o médico que o prescreveu.

Canetas emagrecedoras e queda de cabelo

Os medicamentos injetáveis para perda de peso, como a semaglutida e a tirzepatida (as chamadas canetas emagrecedoras), se tornaram uma causa cada vez mais comum de eflúvio telógeno. Em estudos clínicos, a queda de cabelo foi cerca de três vezes mais frequente entre quem usou esses medicamentos do que entre quem recebeu placebo, chegando a aproximadamente 4 em cada 100 usuários.

O principal fator parece ser a própria perda de peso rápida, que muitas vezes vem acompanhada de menor ingestão de proteínas, ferro e outros nutrientes. A queda é relatada com mais frequência em doses mais altas e em mulheres.

Se você usa uma dessas canetas e notou queda de cabelo:

  • Não interrompa o tratamento sem orientação. Converse com o médico que o prescreveu.
  • Procure um dermatologista para confirmar o tipo de queda, já que o uso dessas medicações também foi associado à piora da alopecia androgenética.
  • Cuide da alimentação, com atenção à quantidade de proteína, e investigue possíveis deficiências nutricionais.

Na maioria dos casos, o cabelo se recupera com esses cuidados, muitas vezes sem necessidade de interromper o tratamento para perda de peso.

Como saber se é eflúvio telógeno

Os sinais típicos são queda espalhada por todo o couro cabeludo, sem falhas localizadas, e mais fios no travesseiro, no ralo e na escova. O diagnóstico, porém, depende do exame. Na consulta, avalio a história, examino o couro cabeludo com tricoscopia e, quando necessário, peço exames de sangue.

Isso importa porque outras causas de queda, como a alopecia androgenética, podem aparecer ao mesmo tempo e precisam de tratamento diferente.

Quanto tempo dura

Na maioria dos casos, a queda diminui depois que o gatilho é resolvido, e o cabelo volta a crescer nos meses seguintes. Quando a queda passa de seis meses, fala-se em eflúvio telógeno crônico, que merece investigação mais detalhada.

O que ajuda

O ponto principal é identificar e tratar a causa. Em alguns casos, uso tratamentos que estimulam o crescimento, sempre com indicação individual. Sono, alimentação adequada e manejo do estresse fazem parte do plano, porque o cabelo costuma refletir o que o corpo viveu.

Quando procurar um dermatologista

Procure avaliação se a queda durar mais de três meses, se surgirem falhas, se houver coceira, dor ou vermelhidão no couro cabeludo, ou se você notar redução do volume do cabelo.

Referências

  1. Telogen Effluvium. StatPearls (NCBI Bookshelf)
  2. Asghar F et al. Telogen Effluvium: A Review of the Literature. Cureus, 2020
  3. Cheng PL, Chang HC. Glucagon-like peptide-1 receptor agonists and hair loss: a systematic review and meta-analysis. Diabetes Res Clin Pract, 2026
  4. Gupta AK et al. GLP-1 therapies and hair loss: a systematic review of current evidence and implications for counseling. Sci Prog, 2026
  5. Viquez Burboa GU et al. GLP-1 receptor agonists and alopecia: a systematic review and meta-analysis. Skin Appendage Disord, 2026

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso precisa de avaliação individual.

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Dr. Alexandre Okubo · CRM-SP 90.743 · RQE 30.051