Pele

Melasma: por que as manchas voltam e como controlar com tratamento e proteção certa

Resposta rápida: O melasma é uma condição crônica que causa manchas escuras no rosto, principalmente em mulheres, e piora com sol, luz visível, calor e hormônios. Não tem cura definitiva, mas pode ser controlado. O tratamento combina protetor solar com cor, cremes clareadores e, em muitos casos, ácido tranexâmico e procedimentos, sempre com manutenção para reduzir o risco de as manchas voltarem.

O melasma é uma das queixas mais comuns no consultório, e também uma das que mais frustram. Muitas pacientes já fizeram vários tratamentos, viram as manchas clarearem e, meses depois, voltarem. Isso não significa que o tratamento falhou: é a natureza do melasma.

Entender por que isso acontece é o primeiro passo para controlar as manchas a longo prazo.

O que é o melasma

O melasma é uma condição crônica em que as células que produzem pigmento (melanócitos) ficam mais ativas em algumas áreas do rosto, formando manchas acastanhadas, geralmente simétricas, na testa, nas maçãs do rosto, no buço e no queixo.

É muito mais comum em mulheres, especialmente entre os 20 e os 50 anos, e em peles morenas, o que inclui boa parte da população brasileira. Homens também podem ter.

O que piora o melasma

  • Sol: é o principal fator. Mesmo exposições curtas, como o trajeto até o carro, contam.
  • Luz visível: a luz do dia, inclusive através da janela, também estimula o pigmento, principalmente em peles morenas. O protetor solar comum não bloqueia bem esse tipo de luz.
  • Calor: cozinhar, sauna e exercício intenso podem piorar as manchas.
  • Hormônios: gravidez, anticoncepcionais e reposição hormonal podem desencadear ou agravar.
  • Genética: é comum haver outros casos na família.
  • Tratamentos inadequados: produtos irritantes e procedimentos agressivos podem inflamar a pele e escurecer as manchas.

Por que o melasma volta

O melasma não é só “pigmento parado na pele”. Há alterações na própria pele, inclusive nos vasos e nas camadas mais profundas, que mantêm os melanócitos estimulados. Por isso, mesmo depois de clarear, as manchas podem voltar quando a pele é exposta ao sol, ao calor ou a mudanças hormonais.

A conclusão prática é simples: o melasma não tem cura definitiva, mas pode ser controlado. O tratamento tem uma fase de clareamento e uma fase de manutenção, que dura enquanto a tendência ao melasma existir.

Protetor solar com cor: a base de tudo

Sem proteção adequada, nenhum tratamento se sustenta. Para o melasma, o protetor ideal é o com cor, que contém óxidos de ferro, os pigmentos que dão cor ao produto e bloqueiam também a luz visível. Estudos mostram que o protetor com cor reduz as recaídas do melasma em comparação com o protetor sem cor.

Algumas orientações:

  • Use todos os dias, inclusive em dias nublados e em casa, perto de janelas
  • Reaplique ao longo do dia, principalmente se ficar ao ar livre
  • Complemente com chapéu de aba larga e óculos de sol

Cremes clareadores

Os tratamentos tópicos continuam sendo a base do clareamento:

  • Hidroquinona: é considerada o tratamento tópico de referência. Costuma ser usada em ciclos, com acompanhamento, porque o uso prolongado e sem orientação pode causar efeitos indesejados, como escurecimento paradoxal da pele.
  • Combinações: a associação de hidroquinona com tretinoína e um corticoide suave, por tempo limitado, está entre as opções tópicas mais eficazes.
  • Outros clareadores: ácido azelaico, ácido kójico, niacinamida, ácido tranexâmico tópico e outros ativos são úteis principalmente na manutenção, ou para quem não tolera a hidroquinona.

Ácido tranexâmico

O ácido tranexâmico é um medicamento que, por via oral, ganhou espaço no tratamento do melasma. Uma análise de 22 estudos randomizados, com 1.280 pacientes, mostrou redução significativa da gravidade do melasma, com os melhores resultados para a via oral, seguida das aplicações na pele e do uso tópico.

Na prática, uso o ácido tranexâmico de duas formas: por via oral, quando indicado, e aplicado na pele junto com o microagulhamento, técnica conhecida como drug delivery, em que as microperfurações facilitam a entrada do medicamento.

A via oral não é indicada para todos. Pessoas com histórico de trombose ou com maior risco de coágulos, entre outras situações, não devem usar. Por isso, a indicação é feita na consulta, depois de avaliar o histórico de saúde e os medicamentos em uso.

Procedimentos: peelings, microagulhamento e lasers

Os procedimentos podem acelerar e aumentar o clareamento, mas no melasma exigem cuidado redobrado: um procedimento agressivo pode inflamar a pele e piorar as manchas.

  • Peelings superficiais: ajudam a renovar a camada de pele com pigmento, como complemento aos cremes.
  • Microagulhamento: associado a clareadores ou ao ácido tranexâmico aplicado na pele, teve bons resultados em estudos. Na Prime, uso o microagulhamento robótico, que controla a profundidade e a distribuição das microperfurações.
  • Laser Nd:YAG no modo toning: é um modo de baixa energia, específico para melasma, que age sobre o pigmento sem agredir a pele. Uso sempre associado ao tratamento tópico.
  • Luz intensa pulsada: é útil para outras manchas, como as de sol, mas evito no melasma, pelo risco de piora.

Lasers e luzes usados de forma inadequada podem inflamar a pele e escurecer as manchas, e é por isso que a escolha do equipamento e dos parâmetros faz tanta diferença no melasma.

Em uma análise que comparou 39 estudos com lasers, os melhores resultados vieram das combinações: laser associado a cremes clareadores, e não laser isolado. É a mesma lógica de todo o tratamento do melasma.

Quanto tempo leva

A melhora costuma aparecer a partir de 8 a 12 semanas de tratamento, e o clareamento é gradual. Depois disso vem a manutenção, com protetor solar, clareadores mais suaves e, quando necessário, novas etapas de tratamento em épocas de mais sol.

Nem toda mancha é melasma

Outras manchas podem parecer melasma, como as manchas de sol (melanoses solares), as manchas que ficam depois de inflamações, alterações causadas por medicamentos e, mais raramente, lesões que precisam de investigação. Na consulta, examino a pele com dermatoscopia e defino o tipo de mancha antes de indicar o tratamento, porque cada uma responde a abordagens diferentes.

Quando procurar um dermatologista

Procure avaliação se as manchas incomodam, se apareceram ou pioraram na gravidez ou com o uso de hormônios, se você já tratou e elas voltaram, ou se não tem certeza de que se trata de melasma. Evite usar clareadores fortes por conta própria: eles podem irritar a pele e escurecer as manchas.

Veja também os procedimentos de dermatologia estética que realizo.

Referências

  1. Neagu N et al. Melasma treatment: a systematic review. J Dermatolog Treat, 2022
  2. Calacattawi R et al. Tranexamic acid as a therapeutic option for melasma management: meta-analysis and systematic review of randomized controlled trials. J Dermatolog Treat, 2024
  3. Chen LY et al. Intradermal injection of tranexamic acid for the treatment of adult melasma: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Facial Plast Surg Aesthet Med, 2024
  4. Ma W et al. Efficacy and safety of laser-related therapy for melasma: a systematic review and network meta-analysis. J Cosmet Dermatol, 2023
  5. Zhou C et al. Guide to tinted sunscreens in skin of color. Int J Dermatol, 2024
  6. Visser WI et al. Visible light protection strategies for diverse populations. Dermatol Ther (Heidelb), 2026

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso precisa de avaliação individual.

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Dr. Alexandre Okubo · CRM-SP 90.743 · RQE 30.051