Pele
Cicatrizes de acne: tipos, tratamentos e quando a subcisão é indicada
Resposta rápida: As cicatrizes de acne mais comuns são deprimidas e se dividem em três tipos: onduladas, em "caixa" e em "picador de gelo". Cada tipo responde melhor a técnicas diferentes. A subcisão é indicada principalmente para as cicatrizes onduladas, presas por traves fibrosas, e costuma ser combinada, em sessões separadas, com lasers, microagulhamento ou bioestimuladores.
A acne passou, mas as marcas ficaram. Para muita gente, as cicatrizes incomodam tanto quanto as espinhas incomodavam, e é comum ouvir no consultório que já foram feitos vários tratamentos sem a melhora esperada.
Em boa parte desses casos, o problema não é o tratamento em si, mas a escolha: cada tipo de cicatriz responde a técnicas diferentes.
Mancha não é cicatriz
Antes de tudo, vale separar duas coisas que costumam ser confundidas:
- Manchas após a acne: marcas vermelhas, roxas ou escuras, planas, sem alteração da textura da pele. Tendem a clarear com o tempo e com tratamento, e pedem uma abordagem diferente.
- Cicatrizes: alteram o relevo da pele, formando depressões ou, menos frequentemente, elevações. Não desaparecem sozinhas.
Muitas vezes as duas aparecem juntas, e o plano precisa considerar cada uma.
Os tipos de cicatriz de acne
A maioria das cicatrizes de acne é deprimida (atrófica), e elas são classificadas em três tipos:
- Onduladas: depressões largas e de bordas suaves, que deixam a pele com aspecto irregular, principalmente com luz lateral. Acontecem porque traves fibrosas, formadas na cicatrização, prendem a pele às camadas mais profundas e a puxam para baixo.
- Em “caixa”: depressões arredondadas, com bordas bem marcadas e fundo plano, como pequenas crateras.
- Em “picador de gelo”: estreitas e profundas, como pequenos furos na pele.
Também existem cicatrizes elevadas, as hipertróficas e os queloides, mais comuns no tronco e com tratamento próprio.
Na prática, a maioria das pessoas tem mais de um tipo de cicatriz ao mesmo tempo, o que explica por que um único tratamento raramente resolve tudo.
O que é a subcisão
A subcisão é um procedimento feito no consultório, com anestesia local. Uma agulha especial é introduzida sob a cicatriz e movimentada para romper as traves fibrosas que puxam a pele para baixo. Liberada, a pele tende a subir, e o sangramento controlado que se forma no local estimula a produção de colágeno.
Por agir na causa da depressão, a subcisão é indicada principalmente para as cicatrizes onduladas. Nas cicatrizes em “caixa”, pode ajudar em alguns casos. Nas em “picador de gelo”, que são estreitas demais para a subcisão, uso outra técnica, descrita abaixo.
Alguns pontos importantes:
- Em geral, são necessárias mais de uma sessão. As traves fibrosas podem se formar de novo em parte, e a melhora é gradual.
- Inchaço e manchas roxas são esperados nos primeiros dias e costumam melhorar em menos de uma semana.
- A acne precisa estar controlada antes do tratamento das cicatrizes. Tratar cicatrizes com acne ativa é tratar um problema que continua se formando.
CROSS: para as cicatrizes em “picador de gelo”
Nas cicatrizes estreitas e profundas, uso a técnica CROSS: um ácido (ácido tricloroacético) em alta concentração é aplicado de forma pontual, só dentro de cada cicatriz, com um instrumento fino. A reação estimula a produção de colágeno de dentro para fora, e a cicatriz fica mais rasa. Como na subcisão, em geral são necessárias algumas sessões.
Por que combinar tratamentos
Os estudos mostram que, nas cicatrizes moderadas a graves, a combinação de técnicas costuma dar resultados melhores do que qualquer técnica isolada. Uma análise de 2026 que reuniu 56 estudos randomizados encontrou os resultados mais consistentes justamente nas combinações, como a de laser com subcisão.
Por isso, a subcisão costuma fazer parte de um plano, com outras técnicas feitas em sessões separadas:
- CROSS, para as cicatrizes em “picador de gelo”
- Lasers, como o laser de érbio ablativo, que melhoram a textura e as bordas das cicatrizes
- Microagulhamento, que estimula a produção de colágeno
- Bioestimuladores de colágeno e ácido hialurônico, que repõem volume nas áreas deprimidas
A ordem e o intervalo entre as técnicas dependem dos tipos de cicatriz, do tipo de pele e da rotina de cada pessoa. Peles mais morenas, por exemplo, têm mais risco de manchas após alguns procedimentos, e isso muda a escolha.
O que esperar
O objetivo do tratamento é suavizar as cicatrizes e melhorar a textura da pele. A melhora costuma ser gradual, ao longo de meses, conforme o colágeno novo se forma. Cicatrizes antigas e profundas podem melhorar bastante, mas é raro que desapareçam por completo, e é importante começar o tratamento sabendo disso.
Como prevenir novas cicatrizes
A melhor forma de evitar cicatrizes é tratar a acne cedo, principalmente quando há lesões inflamadas, profundas ou dolorosas. Espremer espinhas aumenta a inflamação e o risco de cicatriz. Se a acne ainda está ativa, o primeiro passo é controlá-la com um dermatologista.
Quando procurar um dermatologista
Procure avaliação se as cicatrizes incomodam, se você já fez tratamentos sem a melhora esperada ou se ainda tem acne ativa e quer evitar novas marcas. Na consulta, examino a pele com diferentes ângulos de luz para identificar os tipos de cicatriz e montar um plano por etapas.
Veja os procedimentos de dermatologia estética que realizo.
Referências
- Jacob CI, Dover JS, Kaminer MS. Acne scarring: a classification system and review of treatment options. J Am Acad Dermatol, 2001
- Boen M, Jacob C. A review and update of treatment options using the acne scar classification system. Dermatol Surg, 2019
- Kravvas G, Al-Niaimi F. A systematic review of treatments for acne scarring. Part 1: non-energy-based techniques. Scars Burn Heal, 2017
- Ou Y et al. Laser, microneedling, and combination therapies for moderate to severe acne atrophic scars: a systematic review and network meta-analysis. Aesthetic Plast Surg, 2026
- Tao A et al. Injectable fillers for atrophic acne scars: a systematic review of mechanisms, evidence, and clinical algorithms. Clin Cosmet Investig Dermatol, 2026
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta. Cada caso precisa de avaliação individual.